sábado, 31/10/2026

O papel da inteligência artificial na campanha eleitoral dos EUA e o impacto financeiro de mais de US$ 137 milhões

Com a data das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos se aproximando, o cenário eleitoral se torna cada vez mais influenciado pela tecnologia, especialmente pela inteligência artificial (IA). No entanto, essa influência…

Compartilhe:

Com a data das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos se aproximando, o cenário eleitoral se torna cada vez mais influenciado pela tecnologia, especialmente pela inteligência artificial (IA). No entanto, essa influência levanta questões alarmantes sobre a veracidade das informações veiculadas, dando origem ao que especialistas chamam de “slopaganda”, uma combinação de propaganda política e conteúdos de baixa qualidade gerados por IA.

Embora tanto republicanos quanto democratas utilizem essa estratégia, a maior parte do financiamento está concentrada em candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano, especialmente na campanha do ex-presidente Donald Trump. Um exemplo chocante dessa prática é um anúncio do candidato democrata Abdul El-Sayed, que apresenta imagens provocativas e frases alarmantes, mostrando como a manipulação de informações pode ser explorada para fins eleitorais.

O uso da IA na produção de anúncios políticos tem crescido de maneira significativa. Até o momento, o Wesleyan Media Project registrou 220 anúncios que utilizaram essa tecnologia, sendo que quase 81% deles foram financiados por republicanos. O montante investido ultrapassa os US$ 137 milhões, um aumento considerável em comparação com os meros US$ 50 mil gastos em 2024. Contudo, apenas 27% desses anúncios informam que foram criados com IA, o que dificulta a transparência e a avaliação crítica por parte dos eleitores.

A falta de regulamentação federal sobre o uso de IA em campanhas eleitorais é preocupante e já gerou reações de figuras políticas, como o senador democrata Jon Ossoff, que anunciou sua preocupação com o potencial de manipulação da verdade no debate político. A opinião pública também reflete essa inquietação, com 73% dos entrevistados em uma pesquisa considerando o uso de IA em campanhas “inaceitável”.

Apesar do aumento na produção de conteúdos gerados por IA, especialistas alertam que isso não garante uma influência direta nos resultados eleitorais. Uma análise do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York sugere que a “slopaganda” pode ser mais eficaz em mobilizar eleitores e arrecadar fundos, mas enfrenta desafios para realmente influenciar a decisão de voto, especialmente em um ambiente saturado de informações geradas por IA.