A Apple enfrenta críticas após a revelação de que mantém uma extensa lista secreta de palavras e expressões que seu teclado iOS não sugere ou permite digitar por gestos. A descoberta, feita pelo pesquisador Derik Kauffman, levanta questões sobre o controle sutil que a gigante da tecnologia exerce sobre a comunicação de seus usuários.
De acordo com Kauffman, a lista, que contém dezenas de milhares de termos em vários idiomas, não é acessível para os usuários ao digitar mensagens ou e-mails, embora não impeça a escrita direta. A maioria dos termos na lista é considerada ofensiva ou vulgar, mas algumas expressões com conotações políticas também estão incluídas, como “dictator Trump” e “sleepy Joe”.
Em resposta, a Apple não abordou diretamente as descobertas, mas afirmou que o teclado é projetado para evitar sugestões inadequadas. A empresa enfatizou que usuários podem ignorar as recomendações automáticas ao digitar. No entanto, Kauffman argumenta que essa prática pode influenciar a forma como as pessoas se comunicam, caracterizando-se como uma forma de censura discreta.
A análise realizada revelou que a lista não é uniforme e varia conforme o idioma. Por exemplo, expressões críticas a líderes políticos, como “Modi braggart” em hindi e “immigration too high” em francês, também são bloqueadas. Além disso, Kauffman notou inconsistências no sistema, onde algumas palavras consideradas ofensivas não são filtradas, enquanto outras, aparentemente inofensivas, são.
A descoberta da lista ocorreu quando Kauffman percebeu falhas no recurso de digitação por gestos e utilizou ferramentas de inteligência artificial para investigar. A lista, que pode conter cerca de 100 mil termos, foi corroborada por outros especialistas, incluindo Matt Suiche, um engenheiro de cibersegurança.
Essa situação não é única, já que outras plataformas de tecnologia também enfrentam críticas sobre suas funcionalidades de previsão de texto. No entanto, a revelação da lista da Apple destaca a necessidade de maior transparência sobre como as empresas filtram e regulamentam a linguagem utilizada por seus usuários.
David Greene, consultor da Electronic Frontier Foundation, ressaltou que, embora o recurso possa ser útil para evitar sugestões indesejadas, é fundamental que os usuários sejam informados sobre essas limitações e tenham a opção de personalizar suas experiências de escrita. “Isso não deveria ser secreto”, afirmou Greene, enfatizando a importância da transparência nas práticas de moderação de conteúdo digital.



