sexta-feira, 30/10/2026

Trump propõe alteração no termo ‘IA’ após décadas de uso consolidado

O debate sobre inteligência artificial (IA) ganhou um novo contorno com a proposta de Donald Trump de renomear essa tecnologia como “superinteligência”. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA…

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O debate sobre inteligência artificial (IA) ganhou um novo contorno com a proposta de Donald Trump de renomear essa tecnologia como “superinteligência”. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA expressou que o termo “inteligência artificial” sugere uma conotação de falsidade e que, a partir de agora, ele espera que todos os documentos oficiais dos EUA adotem a nova nomenclatura.

Trump não se limitou a anunciar sua ideia; ele também promoveu enquetes em sua rede social, Truth Social, envolvendo o público na escolha do novo nome. Contudo, essas enquetes não apresentaram uma explicação clara sobre como essa mudança poderia ser implementada ou se o setor tecnológico estaria a favor dela. O ex-presidente ainda provocou controvérsia ao declarar que consideraria como “inimigos” aqueles que persistissem em usar o termo original.

A proposta de Trump, no entanto, não é vista como uma simples mudança de nomenclatura. Especialistas em tecnologia, como Anderson Soares, destacam que o conceito de inteligência é complexo e ainda não possui uma definição consensual. Soares, que é professor e fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), observa que a iniciativa de Trump pode ser mais um movimento político do que um passo construtivo para o desenvolvimento da tecnologia.

Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, também critica a proposta, argumentando que ela serve mais como uma estratégia de marketing. Para ele, a tentativa de Trump de criar um novo termo reflete uma busca por atenção, sem que isso tenha um impacto significativo no campo da IA.

Allan Pscheidt, outro especialista em IA, acrescenta que a mudança de nome pode ser interpretada como uma demonstração de poder dos EUA no cenário internacional, similar à corrida espacial. Ele sugere que Trump está sinalizando que os Estados Unidos estão próximos de alcançar a “Inteligência Artificial Geral” (AGI), uma meta que ainda carece de comprovação científica.

Além das questões técnicas, os especialistas alertam para o potencial impacto que essa mudança de terminologia pode ter na percepção pública da tecnologia. Com uma parte significativa da população ainda assustada ou desconfiada em relação à IA, termos como “superinteligência” podem intensificar medos em vez de fomentar a aceitação.

Historicamente, o termo “inteligência artificial” foi criado na década de 1950 por pesquisadores que buscavam desenvolver máquinas com raciocínio semelhante ao humano. Desde então, a tecnologia evoluiu para se tornar parte integrante da vida cotidiana, com aplicações que vão desde reconhecimento facial até assistentes virtuais.

Com a popularização da IA generativa nos últimos anos, a necessidade de uma compreensão mais profunda e informada sobre a tecnologia se torna ainda mais urgente. Como Soares bem coloca, o ciclo de aceitação da tecnologia geralmente começa com medo e desconfiança, seguido por um período de encantamento e, eventualmente, por uma compreensão mais clara e integrada de suas funcionalidades.