Meredith Whittaker, presidente da Signal Foundation, se posiciona firmemente contra as narrativas alarmistas que cercam a inteligência artificial (IA). Para ela, os temores de que a tecnologia possa se voltar contra a humanidade carecem de respaldo científico e são, na verdade, mais fantasiosos do que baseados em realidades palpáveis. “O risco é muito real”, salienta Whittaker, “mas não deve ser confundido com essas histórias de terror contadas por jovens alarmistas”.
A especialista acredita que os maiores perigos estão enraizados no uso imprudente da tecnologia, como exemplificado por um incidente em que um chatbot dos serviços de inteligência dos EUA gerou informações falsas sobre um navio chinês supostamente carregando material nuclear. “Quase entramos em guerra com a China”, reflete Whittaker, enfatizando que um sistema que produz informações enganosas não pode ser considerado realmente inteligente.
Com uma base de usuários que varia entre 40 e 70 milhões, o Signal se destaca por sua dedicação à privacidade, em contraste com o WhatsApp, que possui cerca de 3 bilhões de usuários. Whittaker tem sido um ícone no debate sobre a ética da tecnologia, participando de fóruns globais e sendo reconhecida pela revista Time como uma das pessoas mais influentes na área.
O Projeto Maven, um contrato controverso entre o Google e o Departamento de Defesa dos EUA, foi um divisor de águas na carreira de Whittaker. Ao aprender sobre o projeto, que visava usar IA para seleção de alvos de ataques aéreos, ela percebeu os riscos associados a decisões rápidas e automatizadas no campo da guerra. Em 2018, mobilizou cerca de 20 mil funcionários do Google em um protesto contra a utilização apressada de tecnologias que poderiam resultar em consequências desastrosas.
A crítica de Whittaker ao Projeto Maven não se restringe ao passado. Recentemente, ela associou a operação com mísseis que atingiu uma escola no Irã a falhas similares de inteligência, um alerta que ela já havia feito anos antes. A Palantir, que assumiu o contrato do Google, afirmou não ser responsável pelas decisões tomadas com seus sistemas.
Em meio a debates sobre segurança e privacidade, Whittaker se opõe a propostas de governos, como a do Reino Unido, que visam permitir acesso a conversas em aplicativos de mensagens. Para ela, esse tipo de controle representa um ataque às liberdades civis. “Os princípios que defendo não mudam conforme a pressão”, diz, afirmando que o Signal deixaria de operar em locais onde a privacidade fosse comprometida.
Além de sua luta pela privacidade, Whittaker também defende a importância de garantir que tecnologias não sejam mal utilizadas, especialmente em relação à segurança das crianças. Ela reconhece que, embora plataformas como o Signal possam ser mal utilizadas, elas são essenciais para a proteção em contextos de opressão.
Em um final provocativo, Whittaker instiga mulheres que enfrentam machismo na indústria de tecnologia a permanecerem firmes em suas convicções e paixões, desafiando as normas de intimidação. Para ela, demonstrar coragem e autenticidade é fundamental em ambientes que frequentemente podem ser hostis.



