sexta-feira, 30/10/2026

Origem do termo ‘inteligência artificial’ e a proposta de mudança defendida por Trump

A origem do termo “inteligência artificial” remonta a 1955, quando um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos buscava desenvolver máquinas que imitassem a capacidade de raciocínio humano. Este conceito foi formulado por figuras proeminentes…

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A origem do termo “inteligência artificial” remonta a 1955, quando um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos buscava desenvolver máquinas que imitassem a capacidade de raciocínio humano. Este conceito foi formulado por figuras proeminentes como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, cujas contribuições se entrelaçam com a evolução da tecnologia. Cleber Zanchettin, professor da UFPE, destaca que a nomenclatura surgiu em um contexto onde era necessário distinguir essas pesquisas inovadoras das abordagens tradicionais de programação.

Embora o termo tenha sido criado há mais de sete décadas, hoje ele está no centro de uma controvérsia impulsionada pelo ex-presidente Donald Trump, que propôs sua substituição por “superinteligência”. Durante um discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump argumentou que o termo atual sugere uma tecnologia “falsa”, buscando uma renovação que, segundo ele, refletiria melhor a capacidade dessas máquinas. A mudança de nomenclatura, no entanto, levanta questões sobre sua real necessidade e eficácia.

A trajetória do conceito de inteligência artificial começou antes mesmo de seu nome ser formalizado. Alan Turing, um dos precursores da computação, já explorava o potencial das máquinas pensantes nas décadas de 1940 e 1950. A cibernética, introduzida por Norbert Wiener, também desempenhou um papel crucial, gerando discussões sobre como sistemas poderiam aprender e se adaptar. No Dartmouth College, onde McCarthy e outros se reuniram, o foco era a criação de máquinas que pudessem executar tarefas que exigem inteligência humana, um desafio que permanece relevante até os dias de hoje.

Apesar das intenções de Trump, especialistas como Anderson Soares e Allan Pscheidt questionam a viabilidade e o impacto da mudança proposta. Para Soares, o conceito de inteligência, tanto em biologia quanto em tecnologia, ainda carece de uma definição sólida. Ele sugere que a proposta de Trump pode ter mais a ver com interesses políticos do que com a evolução da tecnologia em si. Pscheidt, por sua vez, argumenta que essa mudança de nome pode ser mais um sinal de poder no cenário internacional do que um reflexo das capacidades reais da tecnologia, que ainda não alcançou o nível da superinteligência.

Ademais, a mudança de nomenclatura pode não ser bem recebida pelo público. O receio em relação à inteligência artificial é palpável, com estudos indicando que a maioria das pessoas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, expressa mais preocupação do que entusiasmo em relação a essa tecnologia. Zanchettin aponta que termos como “superinteligência” podem intensificar a percepção de ameaça associada às máquinas, dificultando a aceitação da tecnologia por um público ainda em processo de compreensão do que a IA realmente representa.

Em suma, a discussão em torno do nome “inteligência artificial” e a proposta de uma nova terminologia traz à tona não apenas questões técnicas, mas também reflexões sobre a percepção pública e as implicações políticas que cercam essa área em constante evolução. Se a mudança ocorrer, será necessário observar como isso afetará a relação entre a sociedade e essa tecnologia que já faz parte do cotidiano.

Crédito da imagem: Por que Trump quer mudar o nome da IA?