sexta-feira, 30/10/2026

Iniciativa de jovem facilita busca por desaparecidos após terremoto na Venezuela; danos ainda são incertos

O impacto dos terremotos na Venezuela, ocorridos em 24 de junho, ainda ressoa na vida de muitos, como é o caso de Jorge Bastidas, um programador venezuelano que reside na Argentina. Ao receber a…

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O impacto dos terremotos na Venezuela, ocorridos em 24 de junho, ainda ressoa na vida de muitos, como é o caso de Jorge Bastidas, um programador venezuelano que reside na Argentina. Ao receber a notícia dos tremores por meio de um amigo, ele inicialmente subestimou a gravidade da situação, mas logo se viu envolvido em uma missão desesperadora: encontrar informações sobre sua família e amigos que se tornaram incomunicáveis.

Em apenas algumas horas após os terremotos, Jorge, em um gesto altruísta, lançou o portal “Desaparecidos Terremoto Venezuela”. O objetivo era claro: criar um espaço onde familiares pudessem registrar desaparecidos e facilitar a comunicação entre pessoas afetadas pela tragédia. Desde sua criação, a plataforma tem sido um recurso vital, acumulando mais de 82 mil registros, dos quais cerca de 29 mil ainda aguardam atualização sobre o paradeiro de seus entes queridos.

A falta de uma resposta organizada do governo venezuelano, que não disponibilizou uma lista oficial de desaparecidos, gerou indignação entre os cidadãos. Jorge expressa sua frustração, ressaltando que o governo possui os recursos necessários para prestar contas à população, mas prefere ignorar a situação. O descontentamento é palpável, especialmente quando se observa que outras iniciativas independentes, como a Venezuela Reporta, também apontam números alarmantes de desaparecidos.

A plataforma de Jorge, com o auxílio de inteligência artificial, foi desenvolvida em tempo recorde. Utilizando a tecnologia para coletar e organizar dados, ele conseguiu colocar o site no ar em apenas quatro horas e meia após os tremores. A resposta foi avassaladora, com picos de acesso que levaram a mudanças na infraestrutura para suportar o tráfego intenso.

Além disso, a introdução de um sistema de reconhecimento facial, oferecido por um laboratório de inovação, foi um passo significativo na identificação de desaparecidos. Essa ferramenta, que já era utilizada por serviços forenses em outros países, se mostrou eficaz na busca por informações sobre vítimas nos hospitais, onde muitos foram levados após os tremores.

Contudo, o caminho não foi fácil. Jorge e sua equipe enfrentaram não apenas a sobrecarga de informações, mas também ataques cibernéticos que comprometeram parte dos dados. O compromisso com a precisão e a veracidade dos registros levou à implementação de medidas de segurança rigorosas e à necessidade de uma equipe dedicada para verificar cada entrada.

Enquanto isso, pessoas como Alceo Angelini buscam esperança na plataforma. Ele registrou o desaparecimento de seu primo e, apesar de a comunicação ter sido restabelecida, viu na iniciativa de Jorge uma forma de garantir que sua família tivesse um canal de apoio. Para muitos, essa é uma luta para trazer um pouco de tranquilidade em meio ao caos e à incerteza que o país enfrenta.

Jorge Bastidas, determinado a não esperar por respostas oficiais, está focado em expandir a plataforma e garantir que cada registro seja verificado. “Ainda não sabemos a real dimensão dos danos”, afirma. A urgência da situação exige ação, e a comunidade civil, unida em torno dessa iniciativa, busca uma resposta que o governo se recusa a fornecer. A história de Jorge é um lembrete da resiliência e da solidariedade em tempos de crise, provando que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na busca por justiça e esclarecimento.